| A Igualdade neste Milénio |
|
Há precisamente quinze anos, em 1995, realizou-se em Pequim a IV Conferência Mundial das Nações Unidas sobre as Mulheres, de onde resultaram a Declaração e a Plataforma de Acção de Pequim. A Declaração, eminentemente política, é um programa destinado ao empoderamento das mulheres de todo o mundo e à eliminação de obstáculos à participação activa de mulheres em todas as esferas da vida pública e privada. Reafirma-se o princípio de que os direitos humanos das mulheres são parte inalienável, integral e indivisível dos direitos humanos, e que a igualdade entre homens e mulheres é uma condição de justiça social e um requisito necessário e fundamental para a igualdade, o desenvolvimento e a paz. Na Plataforma de Acção doze áreas críticas foram então enunciadas, com o compromisso de Governos, comunidade internacional e sociedade civil definirem acções estratégicas que permitissem a sua superação.
Passados quinze anos, muitos foram os progressos em Portugal e no mundo, mas muito há ainda por fazer. Portugal tem pautado a sua acção pela implementação de Planos Nacionais para a Igualdade, Planos Nacionais Contra a Violência Doméstica, Planos Nacionais Contra o Tráfico de Seres Humanos, como grandes instrumentos de política nacional. Criou um eixo do Programa Operacional Potencial Humano - Quadro de Referência Estratégico Nacional - destinado exclusivamente à promoção da Igualdade de Género, com uma dotação de 83 Milhões de Euros para o período 2007-2013. Aprovou a Lei da Paridade. Reforçou os mecanismos de protecção das mulheres vítimas de violência doméstica e punição dos agressores com a nova Lei de 2009. Aumentou a dotação financeira para os projectos de empreendedorismo feminino. Desenvolveu políticas de cooperação entre governo central e autarquias para a promoção da igualdade a nível local. Ou seja, todo um caminho de combate à discriminação e afirmação da Igualdade. Este caminho teve reconhecimento internacional, na recente sessão do Conselho Económico e Social das Nações Unidas - ECOSOC, em Julho, em Nova Iorque, onde foi apresentado um relatório nacional voluntário sobre as políticas de igualdade nacionais e na área da cooperação para o desenvolvimento. Construir uma nova civilização, mais livre de discriminação, mais amiga do ambiente, mais conciliada nos seus tempos e vontades e mais promotora de igualdade de oportunidades, não é uma inevitabilidade. Todos ganham e ninguém perde. Os Direitos só serão verdadeiramente Humanos, quando forem para todas as pessoas. Michelle Bachelet recentemente nomeada para a nova agência das Nações Unidas, UN Women, vai dar um novo impulso ao dossier mundial da igualdade de género e, como disse Ban Ki-moon, melhorar a vida de milhares de mulheres em todo o mundo. Elza Pais Secretária de Estado da Igualdade Artigo publicado no Jornal “Público” do dia 19 de Setembro de 2010. |






