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Existem três formas de apreender as relações entre a sociedade e o território. Em primeiro, os territórios podem ser estudados numa perspectiva concreta, quantificável, correspondendo a espaços preenchidos com a acumulação de factos sociais e sendo as distâncias sociais entre grupos expressas em categorias como separação/integração social. Em segundo, os territórios emergem de uma negociação contínua, revelando uma realidade material e um significado simbólico, expressando padrões espaciais e também relações sociais. Estes territórios relacionais encerram processos que constroem categorias sociais que são delineadas através de práticas materiais discriminatórias (pelos mercados e instituições). Em terceiro, os territórios marginalizados pelas discriminações (racismo, colonialismo, patriarcado...) sendo os territórios “na margem” podem constituir eles próprios a dimensão – como diria Soja (1996), o “terceiro espaço” – para a construção de identidades flexíveis, e sair das análises tradicionais sobre divisões binárias “homem/mulher, normal/deficiente, jovem/idoso...”, construindo novas formas de identificação e de relacionamento onde emergem identidades híbridas (Bhabha, 1994), cujos processos estão na origem de algo diferente, novo, uma nova área de negociação e de sentido ou de representação.
Guia para o combate à discriminação nos Municípios (formato .pdf)
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